Palavra de grego, muito bonita. Significa “amor-caridade”. Fazer o bem sem saber a quem.
Não pense que ajudar o próximo pedinte da esquina, o próximo bêbado que resolver te agarrar se achando na razão, o próximo muleque que te chamar de tio) vai levar qualquer alma para o céu ou aliviar seus pecados: não vai, e você ainda paga caro por eles, os seus, os dos próximos; você vai se arrepender até do que não fez e paga assim mesmo. Você pode achar que não merece, mas eu disse a mesma coisa.
Eu não mereço! Pois bem, fui na padaria em frente ao meu trabalho comer qualquer coisa, quando vem um homem e fica bem próximo, de modo que ele veio a ser o “meu próximo”, mas tava meio difícil de amar ele: fedido, rasgado, chato, bêbado e … exigente!
Agarrou no meu braço, queria me tirar do balcão, me levar para fora – sei lá – para falar com ele.
- To ouvindo senhor!
- Mas vem cá meu amigo!
- Pode falar aqui mesmo.
- Você pode me dar um pão pra eu comer?
- Sim senhor ( não deve ter jeito de fazer cachaça de pão mesmo)
Dinheiro eu não dou. Imagina um pobre estar numa padaria e te pedir dinheiro pra comprar pão? Se pediu o pão, eu dou.
- Moça do balcão, tem pão de sal?
- Não.
- Baixinho: quanto que ta esse “tatu”?
- 0,50. Tem tatu e tem provêncio.
Aí fui ver o gosto do freguês:
- Pode ser doce, aquele bolo ali ó…
- Bota então uns dois tatu.- a mulher botou e ia amarrando o saco.
- ôooooo moça, VAREIA, e aquele ali, bota também, vareia – a mulher desamarrando o saco…
- [OOOO CARALHOOOOO!!!!! VAREIA O CARALHO!] na função mudo, mas a minha cara de indignação disse mais 10 caralhos à décima potência sonora.
- VAREIA NÃO, TÁ BOM. O SENHOR ESPERA LÁ QUE DEPOIS QUE EU PAGAR EU TE DOU – foi quando ele pensou em pensar em questionar qualquer coisa – MERMÃO, É O QUE EU POSSO, NÃO TEM VAREIA NÃO.
Paguei o pecado do pão e dei a ele, quando ele me abençoou com incenso de cachaça, mirou nos meus olhos, agarrou meu braço de novo e foi-se tirando onda que nem o Jesus de “O Auto da Compadecida” que se faz de humano pra testar as pessoas. Mas pra enxergar Jesus ali, gente, só a fé dO Próprio.
Dinheiro eu não dou mais nem o “seguro” do flanelinha. Aliás, pago o justo. Fui estacionar um fim de semana em umas vagas DEMARCADAS na diagonal, em um estacionamento que ERA DEScontrolado pela prefeitura e está outra vez na mão da marginalidade, e o cara:
- Patrão, dá pra você botar o carro mais pra lá, pra dar mais um aqui no meio…
- …Isso …, sabendo trabalhar né chefe…!!!
Fui e voltei em menos de 10 minutos. Tempo mais do que insuficiente para levarem meu carro sem fazer um escândalo que eu não percebesse de onde eu estava – para se ter uma idéia, eu nucnca aperto o botão que faz barulho para ativar nem desativar em público.
O cara já tava na minha janela. Dei 0,25. O cara olhou.
[meia vaga, meio pagamento] não falei. [caralho!!!].