Publicado por: horusviana | 06/08/2009

Uma tarde no museu

museu da loucura 

 

“Antes que você torçao nariz e sinta náuseas diante das faces grotescas e os corpos arruinados pelos hospícios e pela vida, saiba que pelo avesso elas falam de beleza, saúde, alegria,bem-estar e esperança. Compare-se a estas pessoas (sim, são pessoas, membros da nossa espécie – Homo sapiens – gerados em ventres humanos) e descubra que sua ocasional infelicidade é insignificante, que sua ligeira depressão é frescura, que suas rugas são lindas e que o mundo chato em que você vive é o paraíso.

Estes infelizes existem para lembrá-lo que sua felicidade é mais real do que você imagina. Sinta-se igual a eles. Você é apenas o outro lado da moeda.”

Edson Brandão

De todas as minhas doidas experiências, esta não foi a pior nem a melhor, mas acho que foi a que me deixou impressões mais fortes, lembranças mais vivas e um pânico grotesco.

Visitar o Museu da Loucura em Barbacena, só, numa tarde de domingo, é uma loucura. por sorte mesmo não fiquei retido por lá.

Não era raro eu decidir conhecer os três cantos de Barbacena (só o mundo e as cidades de porte razoável têm quatro cantos) a pé, sozinho, e geralmente sem idéia de onde eu ia chegar. Como uma cidade cheia de altos e baixos, das ruas onde eu andava em círculos enrolado para voltar mais uma vez à Escola, via a cidade salpicada de igrejas, telhados e construções históricas, lugares onde eu tinha a curiosidade de saber como chegar, como eram, como voltar.

Meu amigo Filippe havia feito um brilhanete trabalho sobre a loucura, vencedor da Feira de Ciências em 2004. Um trabalho rico de objetos trazidos do museu, lúdico e conscientizador. Assim resolvi tomar o caminho a pé até o museu certo tempo depois.

Havia um casal terminando a visita, a recepcionsta, e eu. Segui pelas mais diversas alas que apresentaram a triste história do tratamento dispensado aos “loucos”, até a década de 70, enquanto a cidade era referência no tratamento de doenças mentais, mas que terminou por exterminar 50 mil brasileiros de todas as regiões por maus tratos e ignorância. Uma fábrica de cadáveres e ossos para um sem número de facudades de medicina.

No museu, de chão de tábuas rangindo, no sol forte entrando pelas janelas de vidro translúcido, com uma parcial escuridão, apresentavam fotografias, comportamentos, grades de ferro, grandes correntes, instrumentos médicos, seringas enormes, aparelhos de tratamento de choque – vários deles, seguindo uma linha de “evolução”.

Aquilo ia me deprimindo.

No fundo uma musiquinha estranha, enquanto eu ia me aproximando de um dos lugares mais aterrorizantes do local:

A sala de cirurgas. Uma montagem aproximada do que seria uma sala para relização de lobotomias, nos casos de loucura grave, agressividade, que através de buracos no crânio, desligava os pacientes do mundo, deixando-os dementes. A salinha de azulejos brancos, com uma maca, bancadas em volta, crânio humano, as ferramentas;dali vinha a musiquinha, um misto de batidas de coração com gemidos.

Com um detalhe: a porta da sala fechava sozinha. Tinha mola. Você tem que abrir, descobrir o que há, entrar enquanto a porta fecha.

Traumatizante. Nesse ponto a visita começeo a ficar mais rápida, os olhos passavam rapidamente sobre as placas, objetos e fotografias do museu, o chão rangendo alto, a musiquinha não acabava, e a recepção estava vazia e a porta fechada.

COMO ASSIM TÁ FECHADA??? TÔ PRESO NO MUSEU DA LOUCURA!!!!! SOCORRO!!!!!!!!

Apenas 5 minutos depois a recepcionista volta com seu cafezinho, e disse que tinha se esquecido de mim. Isso quer dizer que eu podia ter ficado ali … bastante tempo.

Péssima idéia.

 

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Responses

  1. Sugestão para o próximo post:

    “Meu amigo (e padrinho) Filippe…”

    Seria tão legal começar assim.. hehehehe.. to de zoa, muito bom o texto! É bem verdade que aquele lugar me deixou bem “doido” durante um tempo… hehehe

    • Valeu,

      vc ganhou um prêmio de participação no blog

      O BAMBAER DA HUMILDADE!!!!!!
      Venha a Campos qualquer dia receber a honraria para cristalizar (oh, epcar) esse momento!

      abraço!

  2. Ora veja…


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