Publicado por: horusviana | 04/01/2012

Lenda particular de Natal

O Natal é uma comemoração tão preparada e desejada que muitas pessoas devem ter histórias para contar e coisas para lembrar sempre: acontecimentos de família, a presença de alguém diferente que marcou, um amigo-oculto engraçado, um presente que ganhou. A gente cresce uma vida, os natais vão acontecendo, e talvez  a gente evolua internamente e não fique só nos bons votos, mas viva de fato o nascimento do Deus menino dentro de si.

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Há outras comemorações que marcam, como os aniversários, mas o Natal está cercado de lendas e tradições como nenhuma outra data (quando o deputado Aldo Rebelo fizer pegar a lei do Dia do Saci Pererê talvez aí tenhamos mais uma lenda para comemorar com igual alegria, pulando todos numa perna só e fumando cachimbo da paz – isso que é festa, rs). Daí acredito que, mais que histórias para contar, muita gente tenha sua lenda de Natal personalizada.

Eu, no meu tempo de criança, por exemplo, ficava perdido entre as histórias. Diziam que o presente devia ficar numa meia que eu pendurasse, mas eles sempre iam parar debaixo da árvore de Natal. Antes de deixar de acreditar em Papai Noel, deixei de acreditar na bobagem da meia pois minhas noções de Física já eram suficientes para saber que os presentes não cabiam nas meias.

Depois até continuei acreditando no Noel mas desisti de tentar vê-lo entrar em casa porque além de não termos uma chaminé, minha casa tinha tanta grade e cadeado que o gordo não tinha tempo a perder e por isso eu contava com meu avós, pais e tios trazerem a encomenda.

Uma das partes mais curiosas dos meus natais é que raciocinado bem, Papai Noel eram dois irmãos gêmeos considerando os presentes do meu padrinho. Eram iguais aos do meu avô. Por isso eu ganhei dois autoramas idênticos, dois pequenos robôs um preto e um dourado… ou então meu tio comprava coisas iguais para mim e para ele, e é por isso que temos umas caixas de carrinhos de fricção que só minha avó sabe onde estão e de quem são.

Agora duas lendas recorrentes para mim são essas a seguir. Não tem tempo, não tem motivo, algumas vezes essas histórias acabavam passando pela minha cabeça.

Uma delas solucionei recentemente. lembrava vagamente que uma vez havia ganhado uma pistola de espoleta, comum na época e que todos os meus amigos tinham, mas que guardaram em um armário numa parte alta na casa da minha avó Maria. Depois me disseram quem eu nunca tinha ganhado aquele presente, que era coisa da minha cabeça. Obviamente o menino ganhou altura enquanto ainda recordava a história, mas não rápido o suficiente…

Só então há cerca de dois anos uma prima me esclareceu que era verdade que meu outro tio me deu certa vez, e acho que era mesmo o Natal, uma pistolinha de espoleta, mas que bateu um arrependimento pois não era – e concordo – um brinquedo apropriado para uma criança a não ser uma cria de traficante. Pode ter havido também uma retaliação contra o presente, não sei, melhor esquecer. Mesmo assim o mistério solucionado, ainda não deixei de ver coisas, falar sozinho e tenho uma pontaria pouco maior que a média no tiro…

O segundo mistério é mais impressionante, e também envolve uma porta de guarda-roupa que nunca vi aberta, a não ser aquela vez… lembro de ver fechando a porta que continha O presente da minha vida. Mesmo eu não sabendo ainda o que era, era exatamente o que eu queria.

O que eu ainda vejo nos sonhos que tenho com isso, bem de vez em quando, é a porta se fechando, continha uma embalagem grande, quadrada, tinha alguma coisa azul (ou era tudo azul) e meio que brilha, é como um objeto mágico! E deve ter ainda a capacidade de se transformar no que eu no fundo desejo, mas não sei o que é… puramente esquizofrênico!

Para parecer menos maluco, tenho umas leves pistas que me levam a crer que o que eu mais queria na época era um brinquedo tipo autoposto, daqueles que tinham elevador para carro, estacionamento e uma rampa em espiral. Ou uma caixa de Lego. Meras conjecturas. As hipóteses mais plausíveis para seu desaparecimento atrás da porta selada:

a) Não era um brinquedo

b) Não era pra mim e eu estava querendo.

d) Eu já estava vendo coisas.

Apesar dessa privação não-sei-de-quê não reclamo da minha infância principalmente com relação a brinquedos pois eu tinha muitos ou inventava-os eu mesmo. Mas eu ainda vou sonhar com isso.

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