Publicado por: horusviana | 13/12/2016

A Petrobras e seus usos políticos – do insensato ao inacreditável

A crise da Petrobras tem base em motivos racionais, insensatos e inacreditáveis. Apesar de demonizado, o mercado internacional explica irrefutavelmente um motivo muito racional para a crise atual e a dificuldade em dar fôlego a maior empresa do país. Este problema chama-se preço. Se você produz/compra, por exemplo, tomate a $1,00 e vende a $2,00, seu lucro operacional (ou seja, desconsiderando impostos e outros gastos) é de $1,00, o que, olhando por cima – e vendendo muito – é uma margem considerável. Já se você produz/compra aos mesmos $1,00 e vende a $1,10, a coisa fica diferente, e de novo olhando por cima, talvez esteja crítica. Há muitas variáveis.

O mercado geralmente aponta duas saídas – ou você reduz os gastos ou aumenta a tecnologia (tipo um tomateiro que produza muito mais frutos que o normal, com um pouco só mais de gasto). Quem sabe a coisa melhore ou saia ainda melhor que antes. Há ainda muitas variáveis.

No caso da Petrobras, há o dólar em alta, o petróleo em baixa, preços quase congelados, dívidas em dólar, etc, etc, etc. A maioria dos fatores, repentinos, simultâneos e inesperados. Ainda assim, eles explicam – racionalmente – o que acontece, e melhor ainda, dependendo do que muda, sabe-se mais ou menos no que dá.

Do insensato, sabemos bem. O uso político, pelo governo petista, da maior empresa deste país, e que além de muito amor e votos sinceros de bem (no campo abstrato) para esta galinha dos ovos de ouro, tem que saber gerenciá-la concretamente – pois é mesmo dono de ao menos metade da galinha. Pois bem, ao congelar o preço dos combustíveis, seguraram a inflação (o povo agradece), mas prejudicaram a empresa, e ainda um pouco mais. Ainda vai Mensalão e Petrolão na conta, e a mídia cai em cima. As imagens que aparecem na TV mostram dutos e tanques em perfeito estado de deterioração para simbolizar o escândalo.

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Agora, o impensável é a FUP parecer que requer também seu quinhão dos usos políticos-ideológicos durante a greve que tem por objetivo declarado impedir o desmonte da empresa e nenhum benefício a menos aos trabalhadores. A entidade dá às vezes a entender que Pauta pelo Brasil é mais por si que pelo Brasil, mais pelo Brasil que pela Petrobras, mais pela Petrobras que pelos seus empregados.

Poderemos ter, por exemplo, a Petrobras como viabilizadora da reforma agrária. Uma das propostas é que a empresa implemente em suas unidades um menu de alimentação saudável sem agrotóxicos, favorecendo parcerias com a agricultura familiar[1]. Será por isto que o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) resolveu apoiar a luta também?[2] (Em outras palavras, seria esta a condição de apoio?)

As entidades MPA e FUP, filiada à CUT, ao que se sabe eram da “situação”, mas agiram assim no ataque frontal contra a poderosa chefona. Artigo na página da FUP [3] tenta equilibrar nas mesmas palavras o seu apoio ao governo contra um jogo político do capital privatista internacional que a tentou derrubar nas urnas, mas ao mesmo governo que foi favorável às vendas de ativos em curso pós-eleição. Conforme veiculado na mídia, ao lado do coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel, saindo de mesa de negociação na sede da Petrobras, manifestantes gritavam: “Dilma, a culpa é sua, a greve continua”[4]. Será que haverá palavras na língua portuguesa para equilibrar ou desdistorcer esta feita? Ambos os casos, só o avesso do avesso do avesso.

Ainda, em sua Pauta Política [5], querem que a Petrobras, ela mesma, debata a incorporação de suas subsidiárias, sendo que tal distinção entre holding e subsidiárias se deu em alguns casos por força da lei. Para isto, quem sabe um bom lobista delator premiado possa resolver num curto prazo de espera até terminar sua curta pena, ou quem sabe melhor, inocentado! De preferência experiente em condenações.

Aguarda-se o desenrolar dos próximos capítulos e o desentupir do noveloduto, com todos os adjetivos da revolução. Por fim, a simples luta (histórica) será proclamada como vitória (contra o ódio de classe), ainda que por garantir promessas de comissões mistas para avaliar futuramente alguma coisa, do campo do impensável, que não será na prática implementada. As baixas, entretanto, são reais, mensuráveis, imediatas e cumulativas para a empresa.

Nesta posição ideológica, o que é bom e o que é correto depende do que é bom e correto para avançar a luta de classes. Dialética e coerência são coisas de burguesia.

 

[1] http://www.fup.org.br/greve-2015/item/18563-a-greve-continua-avanco-da-negociacao-so-sera-garantido-na-luta

[2] http://www.fup.org.br/ultimas-noticias/opiniao/item/18481-movimento-dos-pequenos-agricultores

[3] http://www.fup.org.br/ultimas-noticias/opiniao/item/18524-gilberto-cervinski

[4] http://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2015/11/09/reuniao-entre-petrobras-e-fup-termina-sem-avancos-greve-continua.htm

[5] http://fup.org.br/campanhas/campanha-dos-petroleiros-2015-defender-a-petrobras-e-defender-o-brasil/item/17832-pauta-politica-unificada-protocolada-na-petrobras

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